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Navegar é preciso. Viver não é preciso.

Você já esteve em Portugal? A primeira impressão que dá (ou ao menos a que eu tive quando pisei aqui e respirei este ar pela primeira vez) é que você já esteve aqui antes. Você entra numa rua e dá de cara com uma arquitetura parecida com a do centro do Rio de Janeiro. Aí dobra uma esquina e dá num beco que é a cara do Pelourinho, na Bahia. Tropeça numa pedra portuguesa e sente-se no interior de Minas Gerais. Enfim, há sempre aquela sensação de déjà vu constante que faz você entender mais um pouco o Brasil. Ou da onde viemos. E por que não, o porquê de sermos como somos.

Vivo aqui há cinco anos. E trabalho com a Raça há quase sete. Não me apresentei, é verdade. Sou Diogo e responsável pelo tapa que dá uma mexida nos textos da agência. Posso dizer que é muita coragem a deles, não acham? Apostar num redator que está do outro lado do oceano. Mas vejam, era isso o que os grandes nomes da história faziam, não é mesmo? Era em busca de descobrir novos caminhos, que reis ibéricos ofereciam os seus reinos para que jovem corajosos, e talvez com algum pouco bom senso, se enfiassem num mar até então desconhecido e que mandassem alguma mensagem de lá. Ou Pero Vaz de Caminha estava louco, ou estava bêbado quando aceitou entrar naquela caravela. Talvez os dois. Mas foi ele quem descreveu para o rei a terra que Deus tinha prometido para eles. Pelos menos foi o que o rei disse.

E a história é feita disto. Dessas empreitadas corajosas onde tudo pode acontecer. Inclusive nada. Se a nau de Cabral tivesse afundado na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, talvez nunca saberíamos que no Brasil não havia serviço de imigração pedindo documento e que aquela era uma ótima oportunidade para Portugal implementar este sistema. 


Mas isso são outros 500. Estou aqui falando da coragem da Raça em apostar em mim para vir, ver e vencer.

Os pontos negativos? Bem, se você começa contando a história pelo final, a chegada é sempre triunfante. O mar é que é mais longo do que parece. E aí a distância pesa um pouco. Os marinheiros deviam ser muito bons em inventar histórias. Só assim para passar o tempo do enjôo no balanço do mar. Seriam ótimos redatores acho. Mas que até as caravelas contavam com um suporte de logística e de suprimentos para chegar ao seu destino. E isso a Raça sempre ofereceu, quando até financiou uma passagem para eu visitar o Brasil. Era o aniversário da minha mãe. Só que não deu tempo de passar na Raça e dar um abraço em todos. Prometo fazer isso na próxima visita, quando este vento soprar. Só deu tempo de abraçar a minha mãe.

Coisa de canceriano, diria eu se acreditasse em signos.
 
Prefiro acreditar nas estrelas que desde sempre guiaram a nós, seres humanos, na busca desse incessante desconhecido. Esse desejo angustiante de conhecer frente a frente o que virá. É para isso que estou aqui em Portugal. Com o apoio da Raça e da coragem de quem manda notícias do mundo de lá. Ás vezes até com tormentas. Mas os ventos portugueses, que ensinaram tantos desses marujos a velejar, sabem muito bem que sopram assim para ensinar, também, que não é o mar calmo que faz o bom marinheiro. Ô pá!

Diogo Xocó
Redator publicitário, atuou em agências por todo o Brasil, como a Casa da Criação no Rio de Janeiro e Adequá no Rio Grande do Sul, além de grandes agências de São Paulo como a DM9DDB, Santa Clara e Havas Worldwide. Em Portugal trabalhou na Havas Portugal e Nossa. Hoje é da equipe da Raça e funciona como uma antena parabólica para as novidades da Europa.

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